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A Primeira Vez da Tua Boca (Angra do heroísmo )

Publicado: 2026-08-24 14:36:58
Actualizado: 2026-08-24 15:36:06
Expira: 2026-09-08 14:36:58
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A Primeira Vez da Tua Boca

Não há preliminares desajeitadas. Só a certeza de dois corpos que já se desejaram em silêncio e que agora deixam de fingir.

Empurro-te contra a parede do quarto, a mão espalmada na tua nuca, os lábios a milímetros dos teus. Sinto a tua respiração acelerada, o peito a subir e a descer contra o meu. Não te beijo logo. Deixo que a expectativa faça o trabalho que as palavras não fazem.

— Eu disse-te que não ia ter pressa — murmuro contra a tua boca. — Mas agora quero provar-te. Toda.

Desço os lábios pelo teu pescoço, devagar, a língua a desenhar o caminho até ao teu ombro. A tua pele sabe a sal e a desejo. As tuas mãos sobem para o meu cabelo, agarram-no, como se tivesses medo de cair. E é essa necessidade que me acende.

Ajoelho-me diante de ti sem tirar os olhos dos teus. Os meus dedos prendem-se no cós das tuas calças e puxo-as para baixo, devagar, deixando que o tecido deslize pelas tuas coxas. Ficas só com a renda fina, já húmida, e o cheiro de ti sobe-me à cabeça.

— Tão molhada já — digo, e a minha voz sai rouca. — E eu ainda nem te toquei.

Não espero pela tua resposta. Aproximo a boca e respiro-te por cima do tecido, quente, e tu estremeces. A língua pressiona contra a renda, devagar, a encontrar o ponto exacto onde o teu corpo mais pulsa. Geme, baixinho, e o som entra-me no peito.

— Quero ouvir-te — peço, e afasto o tecido para o lado.

E então provo-te. De verdade.

A primeira passada da língua é lenta, larga, do fundo até ao topo, e o teu corpo arqueia contra a parede. As tuas pernas ameaçam ceder, e eu seguro-te as coxas, firmo-te contra a boca, como se fosses minha para saborear.

— Fica quieta — ordeno, a voz abafada contra a tua pele. — Deixa-me trabalhar.

E trabalho. Com paciência, com precisão, com a língua a alternar entre pressão e leveza, a desenhar círculos à volta do teu clitóris sem nunca o tocar directamente, a fazer-te subir e descer como se estivesse a tocar um instrumento que conheço de cor. Leio o teu corpo: o bater das tuas coxas contra as minhas orelhas, o teu gemido a ficar mais agudo, a tua mão a puxar-me o cabelo com mais força.

— Isso... — sussurras, e é quase um pedido.

Quando finalmente fecho a boca à volta do teu clitóris e o sugou com a pressão certa, o teu corpo salta. Introduzo dois dedos devagar, curvados, e encontro aquele ponto interior que faz a tua respiração parar. Movo-os em ritmo com a língua, sem pressa, mas sem tréguas.

— Vou fazer-te vir na minha boca — digo, e não é promessa. É facto.

Acelero. A língua firme, os dedos fundos, o teu sabor cada vez mais intenso. Sinto as tuas coxas a tremer, os teus dedos a fecharem-se no meu cabelo, o teu corpo a arquejar.

— Olha para mim — ordeno, levantando os olhos.

E tu olhas. É isso que te desmonta: veres-me ali, ajoelhado, entregue, com a boca em ti e o desejo a escorrer-me nos olhos.

O teu orgasmo chega em espiral, rápido e profundo, e tu gritas — um som que não esperavas, que não controlas, que me faz crescer ainda mais. As tuas pernas tremem, o teu corpo convulsiona contra a minha boca, e eu não paro, não abrando, prolongo cada onda até me empurrares, sensível demais, ofegante.

— Chega... — ris, sem fôlego. — Chega.

Levanto-me, os lábios brilhantes, o gosto de ti na boca. Agarro-te o queixo e beijo-te, devagar, para que proves o que me fizeste.

— Isto foi só a entrada — digo contra os teus lábios, enquanto te sinto a desapertar-me o cinto. — Agora vais sentir o resto.

Desabotoo as calças e liberto-me. O teu olhar desce, e o silêncio que se segue é mais alto do que qualquer gemido.

— Meu Deus... — sussurras.

Sorrio. Não por arrogância, mas porque vejo a antecipação a transformar-se em fome nos teus olhos.

— Não é para teres medo — digo, aproximando-me, a ponta já a roçar a tua entrada, quente e húmida. — É para te abrir devagar. Para sentires cada centímetro. Para nunca mais esqueceres como isto te preenche.

E entro. Devagar. Com a paciência de quem sabe que um corpo precisa de tempo para aceitar vinte e dois centímetros de grossura. Sinto-te esticar à minha volta, quente, apertada, e o teu gemido é fundo, arrastado, quase doloroso de tão bom.

— Isso... abre-te para mim — murmuro, segurando-te as ancas com firmeza. — Deixa-me entrar todo.

Entro até ao fundo, e ficamos ali, os dois, sem respirar, os corpos encaixados. Sinto-te pulsar à minha volta. Vejo a lágrima de prazer no canto do teu olho.

— Estás a sentir-me? — pergunto, a voz tensa.

— Toda... — respondes, e a palavra sai quase em choro.

Começo a mover-me. Lento. Fundo. Cada retirada deixa-te vazia, cada investida volta a encher-te por completo. As tuas unhas cravam-se nas minhas costas. Os teus gemidos tornam-se contínuos, uma melodia que me guia.

— Mais forte — pedes.

Obedeço. O ritmo aumenta, as estocadas ganham força, o som dos nossos corpos a bater enche o quarto. A cama range. A cabeceira bate na parede. E tu agarras-te a mim como se eu fosse a única coisa que te segura no mundo.

— Vais vir comigo — digo, e não é pergunta. — Agora.

Meto a mão entre nós e toco-te onde a boca já te deixou sensível. A combinação é demasiado. Sinto-te a apertar-me, a tremer, a desfazer-te em ondas que puxam o meu próprio orgasmo.

E então liberto-me. Fundo. Com um gemido rouco contra o teu pescoço, o corpo tenso, as estocadas finais a esvaziarem-me dentro de ti.

Ficamos colados, ofegantes, suados, os corpos ainda a pulsar.

— Agora percebes — digo, sem sair de dentro de ti, os lábios no teu ouvido. — Agora percebes porque é que eu disse que ainda não tinha acabado contigo.

E antes que a tua respiração normalize, já te viro de novo, já me ajoelho de novo, já a minha boca te procura de novo — porque eu não minto.

Comigo, o prazer não acaba quando acaba.

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